Monday, August 21, 2006

Miami Vice

Miami Vice é a altamente antecipada adaptação da mítica serie televisiva que nos anos 80 fez furor, com Don Johnson e P. Michael Thomas no papel de uma dupla de detectives de Narcotráfico.
O primeiro trunfo do filme é ser escrito e realizado pelo criador da série original, Michael Mann, um dos mais talentosos artífices do policial, com provas dadas em “Collateral”, “Ali”, “O Últimos dos Moicanos” e especialmente “Heat- Cidade sobre Pressão”, uma das melhores obras de sempre do género. O estilo inconfundível do realizador- crú, simples, intenso- resulta, mais do que numa homenagem à serie, numa obra genuinamente original, uma referência por mérito próprio. O maior desafio antecipado- a dificuldade de fazer Colin Farrel e Jamie Foxx vestir os fatos (também literalmente) dos seus predecessores – é passado com distinção, prova não só da dimensão dos dois actores como da capacidade de Mann, talvez o último “auteur” do género. Um filme contra corrente, curto em explosões, efeitos especiais e “catch frases”, mas enorme em pura intensidade. Absolutamente imperdível.

Tuesday, January 31, 2006

Oscars

E ai estão os nomeados às estatuetas douradas:

Academy of Motion Picture Arts and Sciences
78th Annual Academy Awards Nominations

PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A LEADING ROLE
Philip Seymour Hoffman - CAPOTE
Terrence Howard - HUSTLE & FLOW
Heath Ledger - BROKEBACK MOUNTAIN
Joaquin Phoenix - WALK THE LINE
David Strathairn - GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.

PERFORMANCE BY AN ACTOR IN A SUPPORTING ROLE
George Clooney - SYRIANA
Matt Dillon - CRASH
Paul Giamatti - CINDERELLA MAN
Jake Gyllenhaal - BROKEBACK MOUNTAIN
William Hurt - A HISTORY OF VIOLENCE

PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A LEADING ROLE
Judi Dench - MRS. HENDERSON PRESENTS
Felicity Huffman - TRANSAMERICA
Keira Knightley - PRIDE & PREJUDICE
Charlize Theron - NORTH COUNTRY
Reese Witherspoon - WALK THE LINE

PERFORMANCE BY AN ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE
Amy Adams - JUNEBUG
Catherine Keener - CAPOTE
Frances McDormand - NORTH COUNTRY
Rachel Weisz - THE CONSTANT GARDENER
Michelle Williams - BROKEBACK MOUNTAIN

BEST ANIMATED FEATURE FILM OF THE YEAR
HOWL'S MOVING CASTLE
TIM BURTON'S CORPSE BRIDE
WALLACE & GROMIT IN THE CURSE OF THE WERE-RABBIT

ACHIEVEMENT IN ART DIRECTION
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
HARRY POTTER AND THE GOBLET OF FIRE
KING KONG
MEMOIRS OF A GEISHA
PRIDE & PREJUDICE

ACHIEVEMENT IN CINEMATOGRAPHY
BATMAN BEGINS
BROKEBACK MOUNTAIN
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MEMOIRS OF A GEISHA
THE NEW WORLD

ACHIEVEMENT IN COSTUME DESIGN
CHARLIE AND THE CHOCOLATE FACTORY
MEMOIRS OF A GEISHA
MRS. HENDERSON PRESENTSPRIDE & PREJUDICE
WALK THE LINE

ACHIEVEMENT IN DIRECTING
BROKEBACK MOUNTAIN
CAPOTE
CRASH
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MUNICH

BEST DOCUMENTARY FEATURE
DARWIN'S NIGHTMARE
ENRON: THE SMARTEST GUYS IN THE ROOM
MARCH OF THE PENGUINS
MURDERBALL
STREET FIGHT

BEST DOCUMENTARY SHORT SUBJECT
THE DEATH OF KEVIN CARTER: CASUALTY OF THE BANG BANG CLUB
GOD SLEEPS IN RWANDA
THE MUSHROOM CLUB
A NOTE OF TRIUMPH: THE GOLDEN AGE OF NORMAN CORWIN

ACHIEVEMENT IN FILM EDITING
CINDERELLA MAN
THE CONSTANT GARDENER
CRASH
MUNICH
WALK THE LINE

BEST FOREIGN LANGUAGE FILM OF THE YEAR
DON'T TELL
JOYEUX NOèL
PARADISE NOW
SOPHIE SCHOLL - THE FINAL DAYS
TSOTSI

ACHIEVEMENT IN MAKEUP
THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
CINDERELLA MAN
STAR WARS: EPISODE III REVENGE OF THE SITH

ACHIEVEMENT IN MUSIC WRITTEN FOR MOTION PICTURES
(ORIGINAL SCORE)
BROKEBACK MOUNTAIN
THE CONSTANT GARDENER
MEMOIRS OF A GEISHA
MUNICH
PRIDE & PREJUDICE

ACHIEVEMENT IN MUSIC WRITTEN FOR MOTION PICTURES
(ORIGINAL SONG)
"In the Deep" - CRASH
"It's Hard Out Here for a Pimp" - HUSTLE & FLOW
"Travelin' Thru" - TRANSAMERICA

BEST MOTION PICTURE OF THE YEAR
BROKEBACK MOUNTAIN
CAPOTE
CRASH
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MUNICH

BEST ANIMATED SHORT FILM
BADGERED
THE MOON AND THE SON: AN IMAGINED CONVERSATION
THE MYSTERIOUS GEOGRAPHIC EXPLORATIONS OF JASPER MORELLO
9
ONE MAN BAND

BEST LIVE ACTION SHORT FILM
AUSREISSER (THE RUNAWAY)
CASHBACK
THE LAST FARM
OUR TIME IS UP
SIX SHOOTER

ACHIEVEMENT IN SOUND EDITING
KING KONG
MEMOIRS OF A GEISHA
WAR OF THE WORLDS

ACHIEVEMENT IN SOUND MIXING
THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
KING KONG
MEMOIRS OF A GEISHA
WALK THE LINE
WAR OF THE WORLDS

ACHIEVEMENT IN VISUAL EFFECTS
THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
KING KONG
WAR OF THE WORLDS

ADAPTED SCREENPLAY
BROKEBACK MOUNTAIN
CAPOTE
THE CONSTANT GARDENER
A HISTORY OF VIOLENCE
MUNICH

ORIGINAL SCREENPLAY
CRASH
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MATCH POINT
THE SQUID AND THE WHALE
SYRIANA

Friday, July 22, 2005

Ha empregos que metem nojo...

Numa entrevista recente, a mais recente teen bombshell de Hollywood Jessica Alba (a jovem prostituta dançarina de Sin City) revelou que, para o seu novo filme- The Fantastic Four- em que faz de Sue Storm (uma super heroina sexy até dizer chega), tinha que passar por um processo algo bizarro todos os dias antes de filmar. Aparentemente, uma série de gajos tinham que a besuntar com lubrificante por TODO O CORPO para conseguir entrar no fato.

Ou seja, à prai individuos que são pagos (provavelmente bem) para, todos os dias de manhã durante meses, lubrificar o corpo da Jessica Alba.

E eu que ainda sonhava com ser relações públicas da Trignometria.

Wednesday, July 20, 2005

Se o seu paciente e um super heroi...

Ser médico é fixe.

É daquelas profissões que vêm com uma arrogância generalizadamente aceite (e, diga-se, compreensiva) que calculo só pode vir da noção que aqueles pobres coitados passão 8 anos a olhar para livros mais grossos que a biblia e mais chatos que autobiografia da paula bobone.

Ser médico é fixe. E ganha-se bem. E as gajas gostam. Aliás, cientistas no geral safam-se sempre.

Mas aqui há dias apercebi-me de um facto preocupante. Os médicos são um pouco como os mordomos- levam sempre por tabela (sendo "sempre" a globalidade dos filmes de super herois).

O médico/cientista que explica sensivelmente ao antes-normal-sujeito-que-foi-alvo-de-radiações-ou-o-camandro-e-ficou-super-vilão nunca vive para contar a história. Ora vejam como o green gobleth avia o colega cientista. Puf. Ou o rapazola acabado de sair da faculdade que explica ao vilão do quarteto fantástico que o corpo dele está todo marado. Enche como gente grande.

Moral da história: se o seu paciente for um super heroi, minta. Explique que não se passa nada e que a visão raio x passa com uma pomada e toalhas quentes. E ponha-se a andar.

Não diga que eu não avisei.

Monday, February 07, 2005

21 grams

2000. Alejandro González Iñárritu, um jovem Dj mexicano e realizador de publicidade nas horas vagas, junta-se ao argumentista Guillermo Arriaga e cria “Amores Perros” (“Amor Cão”), desvendando um potencial que veio revitalizar o cinema americo-latino como “Cidade de Deus” ao cinema brasileiro, alguns anos depois.

O realizador foi então convidado pelo mítico David Fincher (“Figth Club”, “Se7en”, “Alien”) para realizar um dos short films da campanha mundial da BMW “The Hire”, juntando-o assim a nomes como John Woo, Tony Scott, Guy Ritchie, Ang Lee e Wong Kar-Wai. Voltou a convidar Guillermo Arriaga e ganhou três Clio Awards.

Em 2001 Sean Penn convida-o a realizar uma das curtas sobre o atentado de 11 de Setembro- “11`09`01”-, juntamente com Mira Nair, Amos Gitai, Danis Tanovic.

E em 2003, eis que nos chega a tão esperada volta da equipa às longas metragens, com o filme “21 Grams”.

O filme fala de desespero. Não, fala de amor. Não, não, fala de destino.

O filme fala de vida. De vidas. De como interagem, como se influenciam, como a sorte de uns é o azar do outros. Do que acontece. E porquê.

Sean Penn, Naomi Watts e Benicio Del Toro dão a cara. Os dois últimos recebem nomeações para os Oscars pelo filme- Sean Penn só não recebe por já lá estar (“Mistic River”). A mestria dos três actores (apesar de tudo, Del Toro brilha como nunca antes) fazem justiça a um argumento angustiante e comovente, deixando o espaço necessário a Iñárritu para, mais uma vez, fazer arte.

A-R-T-E.

A estrutura narrativa em formato de puzzle que se vai construindo com um ritmo implacável, a direcção de fotografia (Rodrigo Prieto- “Amores Perros”, “8 Mile”, “Frida” e “25th Hour”- reinventa a iluminação), a banda sonora mas, principalmente, a cruel e genial realização do mexicano proporcionam a mais intensa, triste e bonita experiência cinematográfica do ano.

Não, não é um filme leve. Pelo contrário. É uma viagem ao fundo do poço. Mas de ida e volta. E em primeira classe.





Finding Neverland

Uma das mais divulgadas mentiras sobre cinema, e a que mais apóstolos tem no nosso pais, é a de que quando alguém percebe de cinema, aprecia filmes a sério e despreza mainstreamers e blockbusters. Essa é a razão que leva ao enorme fosso entre as opiniões dos críticos e do público em geral. Em muitos casos (Tendinha e outros à parte), a regra é ir ver os filmes que os críticos mais desancam, pois são bons de certeza (quem nunca se deliciou com os filmes arrasados por Kathelen Gomes ou Eduardo Cintra Torres atire a primeira pedra).

Quando um filme é bom, é bom. Não interessa se é um “Armagedon”, um “Nothing Hill” ou um “Being Jonh Malkovich”. O que um filme tem que fazer é ter uma proposta e cumpri-la. Seja pôr-nos a chorar, a rir ou a pensar na vida.

Alguns realizadores, cada vez mais, sabem que isto é verdade. E mais, sabem que o talento do contar estórias numa sala às escuras não está estanque a um formato ou etiqueta. Posso atirar nomes como Spielberg (“Shindlers List”, “AI”, “The Terminal”), que o fazem por maturidade, ou outros como Gore Verbinski (“The Ring”, “Pirates of the Carabian”) ou Marc Forster (“Monster´s Ball”, “Stay”, “Finding Neverland”), que o fazem porque sabem que esse é o verdadeiro desafio do grande ecrã. O preço que pagam por procurarem sempre novos desafios é o de pouca gente lhes reconhecer o nome, de tão camuflados que estão de filme para filme. Um bem haja para eles. Está dito.

“Finding Neverland”, o novo filme de Marc Forster, é a surpresa do ano. Aliás, o realizador começa a tornar as surpresas num hábito, depois de escrever e realizar “Monster´s Ball (Depois do Ódio)” o filme que deu o primeiro Óscar a Hale Berry.

O filme é um “biopic” de J. M. Barrie, o célebre dramaturgo responsável pela criação de Peter Pan. A história parte do momento em que o escritor escocês (Johnny Depp) que se encontra em baixo de forma e inspiração, na escrita e na vida, até que encontra e se torna amigo de uma família de 4 rapazes, recentemente órfãos de pai, e da sua mãe (Kate Winslet). Da peculiar vivência e relação com esta família, a quem o imaginativo escocês tenta ajudar a passar o luto do pai voltando a ensinar a sonhar como devem as crianças (e das consequências da mesma numa sociedade inglesa conservadora) vai surgindo uma das maiores histórias de sempre.

Digo “vai surgindo”, e é mesmo o caso. O filme escorrega frame a frame, com uma naturalidade sublime. Marc Forster consegue resistir a todas as tentações, desde o overacting ao over directing e até aos efeitos especiais, mantendo uma rédia curta num leque de actores invejáveis (além de Depp e Winslet, ainda Dustin Hoffman, Julie Cristie e Tim Mackenzie), perfeito na arte da contenção.

E é precisamente aí que encontramos o maior feito do filme - À semelhança da história de Barrie, também Forster nos convida, progressiva e controladamente, a ver mais do que está no ecrã. Para contar uma história sobre a capacidade intemporal da imaginação, o realizador não nos relega ao lugar de um espectador. Forster vai ter a meio caminho, e obriga-nos a ir lá ter. Somos nós que temos que juntar aos seus “pózinhos mágicos” os nossos “pensamentos felizes” e “levantar voo”... Finding Neverland é precisamente isso, um filme que nos convida a encontrar esse local perdido.

“Young boys should never be sent to bed, they always wake up a day older” diz Barrie a dada altura. “Finding Neverland” tem o efeito precisamente inverso.